As pessoas continuam aqui. Cantam, rezam, suspiram.
O país, o território, o sentido de pertença, é que se afastam.
Não se despedem, apenas se ouvem cada vez mais ao longe. Aparentam falar muito alto, enquanto se afastam, talvez gritem. Estão muito zangados. Mas o eco só devolve guinchos fracos - ratos a deixarem o navio.
O navio são as pessoas. Aqui ficam, com as nuvens e um tempo irreparável pela frente.
(os que se foram embora antes do território são perseguidos por ele, pelos gritos mudos; nem ao mar nem às nuvens pretendem voltar).
Continuam aqui, demasiado tristes para se enfurecerem. Tão tristes tão tristes que em breve sentirão a felicidade da tristeza. Pegarão na guitarra e no xaile negro, aplaudirão. Aiiiiiii o fado.
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