Três asas de frango, um iogurte, uma caixa de fósforos, um sabonete, um pacote de estrelinhas.
Põe-se a água a correr, leva-se o corpo para debaixo do chuveiro sem ligar aos arrepios, esfrega-se rapidamente com o sabonete e ainda mais depressa com a toalha. Espirra-se. Deitam-se estrelinhas na tigela, mistura-se o iogurte, mastiga-se a correr, respira-se fundo. Enfrenta-se a manhã. Seguidamente enfrenta-se a tarde. Engana-se o estômago com água da torneira. Vira-se o percurso ao contrário até escurecer. Acende-se um fósforo e com ele a vela e o fogão. Reserva-se a vela. Cuidado para que as asas de frango não se ponham a voar enquanto cozem. Reservam-se as estrelinhas para o dia seguinte, tendo atenção ao fecho hermético do pacote para não brilharem na noite nem em sonhos. Apaga-se a vela e espera-se que escureça. Depois que escureça ainda mais.
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